Cientistas encontram DNA masculino em cérebros femininos


Set/2012   Pesquisadores do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson descobriram que até dois terços das mulheres carregam DNA masculino em seu cérebro.
Eles acreditam que o DNA é passado para as mulheres provavelmente durante a gravidez de filhos do sexo masculino. As consequências exatas dessa transferência de DNA do feto para a mãe ainda não estão claras, mas podem afetar tanto positiva quanto negativamente a saúde da mulher.
Esse é o primeiro estudo do seu tipo, mas pesquisas anteriores sobre microquimerismo – fenômeno no qual material genético e células originárias de outros indivíduos são acolhidos no organismo, como mães que mantêm células de seus filhos em seu corpo após o nascimento dos mesmos – já ligaram o fenômeno a doenças autoimunes e ao câncer, às vezes de forma positiva, como proteção contra a doença, às vezes negativa, como risco maior da doença.
O estudo
O principal autor do estudo foi William Chan, do Departamento de Bioquímica da Universidade de Alberta (Canadá), uma autoridade internacional em microquimerismo.
Ele e seus colegas examinaram amostras de autópsia do cérebro de 59 mulheres que morreram entre as idades de 32 e 101 anos. Microquimerismo masculino foi detectado em 63% das pacientes, distribuído em várias regiões do cérebro e potencialmente persistente ao longo da vida humana: a mulher mais velha na qual DNA fetal masculino foi detectado no cérebro tinha 94 anos.
26 mulheres não tinham nenhuma doença neurológica, e 33 tinham a doença (mal) de Alzheimer. Os cérebros de mulheres com
Alzheimer apresentaram uma prevalência inferior de microquimerismo masculino, que apareceu em concentrações mais baixas em regiões do cérebro mais afetadas pela doença.
Segundo Chan, essa é a primeira vez que microquimerismo masculino é documentado no cérebro humano feminino.
A descoberta apoia a probabilidade de que as células fetais frequentemente atravessam a barreira sangue-cérebro humano, e que microquimerismo no cérebro é relativamente comum.
Microquimerismo x doenças
Por causa do pequeno número de participantes e de históricos de gravidez desconhecidos, uma ligação entre Alzheimer e
nível de células de origem fetal masculina não pode ser estabelecida.
O estudo também não proporcionou qualquer outra associação entre microquimerismo masculino no cérebro feminino e saúde.
“Atualmente, o significado biológico de abrigar DNA masculino e células masculinas no cérebro humano requer uma investigação mais aprofundada”, disse Chan.
No entanto, outros estudos sobre o mesmo assunto têm revelado que o microquimerismo impacta o risco de uma mulher desenvolver alguns tipos de câncer e doenças autoimunes.
Em algumas condições, tais como câncer de mama, células de origem fetal masculina podem proteger as mulheres; em outras, tais como o câncer de cólon, as células têm sido associadas com o risco aumentado da doença.
O microquimerismo também já foi ligado a um menor risco de artrite reumatoide em mulheres que já deram à luz pelo menos uma vez.[MedicalXpress, Telegraph]

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