Cientistas identificam genes responsáveis por características faciais


Set/2012   Já imaginou como seria bom se pudéssemos fazer um retrato usando apenas uma amostra de DNA coletada em uma cena de crime? Embora uma façanha como essa só seja possível em séries policiais como CSI, um estudo recente fez com que ela ficasse um pouco mais próxima da realidade.
Não é segredo que o genoma está por trás de traços como o formato de nosso rosto, a cor dos nossos olhos ou o tamanho do nosso nariz – afinal, gêmeos idênticos têm uma genética similar. Contudo, não ainda não se sabia quais genes, exatamente, afetavam características faciais. Agora, foram confirmados cinco (três dos quais já haviam sido considerados “suspeitos” em pesquisas anteriores).
“Estamos começando a entender a base genética da face humana”, destaca o pesquisador Manfred Kayser, da Erasmus MC – Universidade Médica de Rotterdam (Holanda). Junto com outros cinco cientistas, Kayser faz parte do Consórcio VisiGen, que estuda a genética por trás de características humanas visíveis.
Caça aos genes
Usando ressonância magnética, a equipe “escaneou” 5.388 mil voluntários de ascendência europeia e criou mapas tridimensionais do rosto de cada um. Depois, Kayser e seus colegas analisaram o genoma dos participantes para determinar quais genes poderiam explicar 48 características faciais (como a distância entre os olhos) consideradas no estudo. Além disso, foram usadas fotos de 3.867 mil outras pessoas para testar os resultados.
Nessa “caçada”, na qual foram usados cerca de 2,5 milhões de marcadores de DNA, os cientistas encontraram cinco genes. “O mais surpreendente é que nós encontramos genes”, disse Kayser. “Eu não teria imaginado isso oito anos atrás”, época em que entrou nessa linha de pesquisa.
Embora os resultados sejam animadores, a ideia de criar um retrato a partir de uma amostra genética ainda está longe da realidade. “Da mesma forma que ocorre com a altura, nós acreditamos que o rosto é influenciado por centenas, até milhares de genes com efeitos pequenos”, explica a epidemiologista genética Lavinia Paternoster, da Universidade de Bristol (Reino Unido).
Paternoster faz parte de outro grupo de pesquisadores, o Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), responsável por identificar o gene PAX3 como um dos “suspeitos” por trás de traços faciais – papel que foi confirmado pela equipe de Kayser.
5 peças do quebra-cabeça
Em meio a uma infinidade de outros genes, cinco foram associados a características faciais: PRDM16, PAX3, TP63, COL17A1 e C5orf50. O primeiro, que desempenha um papel fundamental no armazenamento (e na queima) de gordura do corpo, quando afetado por uma mutação pode causar fenda palatina em ratos.
Já o PAX3, que regula a formação de células musculares, controla a distância entre o topo do nariz e os cantos dos olhos. Uma mutação nesse gene causa Síndrome de Waardenburg, uma rara condição genética que, entre outros sintomas, causa queda de cabelo e heterocromia (olhos de cores diferentes).
Alterações no gene TP63 causam uma doença rara, caracterizada por falta de dentes, afinamento da pele e coceira em várias partes do corpo. O COL17A1, por sua vez, está relacionado com o colágeno do nosso corpo; mutações podem causar bolhas na pele. A respeito do último gene (C5orf50), pouco se sabe.
Genética na cena do crime
Os pesquisadores não têm dúvida de que, no futuro, resultados desse tipo de estudo poderão ser usados em investigações forenses. Um retrato criado a partir de DNA poderia ser muito mais confiável do que o depoimento de uma testemunha, sujeito a limitações de percepção e memória. Contudo, reconhecer um suspeito usando amostras de DNA ainda é “um cenário distante, estilo CSI”, aponta Kayser.
As coisas se tornam mais palpáveis, contudo, quando se fala em cor de cabelo e dos olhos. Em agosto, Kayser e seus colegas lançaram um sistema (HIrisPlex) que permite prever essas características a partir do DNA – embora, por enquanto, só funcione com pessoas de ascendência europeia. O teste forense tem precisão de quase 70% na identificação de indivíduos loiros e mais de 87,5% para identificar morenos.
Futuramente, o grupo pretende analisar mais características faciais (no estudo mais recente, eles “escanearam” apenas a parte superior do rosto, da base do nariz para cima). Eles também planejam trabalhar em conjunto com o ALSPAC, que coletou imagens de crianças e usou outro método de análise – unir esforços pode trazer resultados ainda mais abrangentes.[LiveScience]

 

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