Porque antidepressivos funcionam melhor para uns do que para outros


Set/2012  A depressão é um grande problema globalmente: segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição afeta cerca de 20% das pessoas em algum momento de suas vidas.
São 121 milhões de pessoas com depressão no mundo, 17 milhões só no Brasil, dos quais 75% nunca receberam tratamento adequado. Até 2020, a depressão irá rivalizar com as doenças cardíacas como o distúrbio de saúde com maior carga global de doenças, e passará de 4ª para a 2ª colocada entre as principais causas de incapacidade para o trabalho no mundo.
Ansiedade e depressão reduzem expectativa de vida, mesmo em níveis leves
Parte do problema em tratar a doença vem do fato de que, hoje, os remédios são prescritos com base na “tentativa e erro”, muitas vezes a única forma de pacientes depressivos encontrarem o tratamento mais eficaz para si.
Agora, cientistas britânicos do Instituto de Psiquiatria do King’s College em Londres sugeriram que marcadores biológicos no sangue podem ajudar os médicos a determinar o melhor tipo de tratamento para a depressão para cada paciente, sem precisar submetê-los a vários “testes” de remédios.
“O estudo mostra que nós poderíamos usar um teste de sangue para personalizar o tratamento da depressão”, disse a principal autora do estudo, Carmine Pariante.
Tratamento simples: depressão se cura com positividade
A pesquisa
Embora existam muitos antidepressivos no mercado – como os famosos Prozac e Seroxat -, é amplamente aceito que muitos deles funcionam em apenas metade dos pacientes em metade do tempo.
O que os cientistas descobriram foi que os níveis elevados de inflamação – que aparecem em marcadores biológicos no sangue – são parte do mecanismo que leva à depressão, especialmente a determinadas formas da condição de que não respondem bem aos antidepressivos leves ou de baixa dose.
Em células humanas, a informação a partir de genes é transcrita no “RNA mensageiro”, ou mRNA, antes de se tornar visível como um sinal físico e bioquímico. Assim, a equipe monitorou o mRNA dos pacientes antes e depois de terem sido tratados com um de dois antidepressivos: escitalopram ou nortriptilina.
Escitalopram, vendido sob várias marcas como Lexapro, Seroplex, Cipralex e feito por fabricantes de genéricos, é um inibidor da recaptação da serotonina (ISRS). Nortriptilina, vendido sob os nomes Aventyl, Sensoval e outros, é um antigo tipo de antidepressivo conhecido como tricíclico. Ambos são comumente prescritos como tratamentos de “primeira linha” para depressão na Grã-Bretanha e outros países.
Após 8 semanas de tratamento, os pesquisadores perceberam que os pacientes que não melhoraram foram aqueles que tinham níveis significativamente mais elevados de três marcadores de inflamação antes do início do tratamento.
Isso sugere que estes três marcadores podem ser usados para identificar pacientes que são menos propensos a responder a antidepressivos comumente usados, permitindo que os médicos considerem uma abordagem mais adaptada ou “personalizada” para o tratamento do paciente desde o início.
“Este é um pequeno estudo, mas os resultados são promissores”, disseram os pesquisadores. “Os tratamentos personalizados para depressão podem ajudar a evitar a atual forma de ‘tentativa e erro’ de prescrever medicação antidepressiva”, concluem.[Reuters, SISSaude]

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