La Venganza De Jane Película Completa en Español Latino


Jane Got a Gun (As Armas de Jane): Natalie Portman acerta no alvo

As Armas de Jane é um sinal de que o cinema americano ainda tem “armas” decentes, mesmo que não sejam excecionais. É um filme com história, enredo, bons atores e, como tal, não está a ter, por agora, grande aceitação, que o deixa com uma pontuação de 5,7 na IMDb, o que geralmente se atribui a produções série Z ou pior.
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Jane Got a Gun desenrola-se no território do Novo México em 1871 e é a história de uma mulher (Portman) que vê o marido (Noah Emmerich) chegar a casa crivado de balas nas costas. Sabe-se apenas que o violento bando dos Bishop, chefiado pelo sádico Colin (um Ewan McGregor quase irreconhecível), vem aí para obter qualquer vingança. Jane pede ajuda a Dan (Joel Edgerton) e apercebemo-nos de que entre ambos há qualquer rancor do passado, porque Dan não aceita ajudá-la, a princípio. A situação vai sendo esclarecida através de alguns flashbacks que não desequilibram a narrativa nem fazem perder o fio à meada, como por vezes sucede.
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Dan decide auxiliar Jane depois de esta tentar defender-se a si, à filha e ao marido sozinha, estoirando a cabeça de um dos malfeitores que a tenta violar. E agora o bando dos Bishop não lhes vai dar tréguas num confronto desigual.
Ainda que seja um western, não lhe lhe chamaria um filme de cowboys, é mais um drama do Oeste que poderia ser transposto para tempos contemporâneos. Mas a verdade é que a obra segue um estilo mais clássico do que a maioria das produções atuais, com uma montagem pausada e refletida, uma fotografia que não será um primor mas é bastante boa, contrastando o sépia do presente com o colorido dos flashbacks. É sobretudo um filme de entretenimento sóbrio sem os delírios estupidificantes que por aí proliferam a um ritmo vertiginoso.
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O vilão Colin (Ewan McGregor).
O título recorda a canção «Janie’s Got a Gun» dos Aerosmith, editada em 1989, e a letra também encontra eco no enredo: “Janie’s got a gun/Her dog day’s just begun/Now everybody is on the run…” Isto, associado à imagem de Natalie Portman vestida à cowboy, devia garantir um sucesso bombástico. Descreveram-no como um remake vagamente baseado em Hannie Caulder (1971) com Raquel Welch. Também um filme a recomendar, mas com o qual não encontrei grandes semelhanças para além do superficial.
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Joel Edgerton (no papel de Dan, que se torna aliado de Jane).
O mais certo é que o público habituado a enlatados esperasse Portman aos tiros pelo faroeste, 50 mil explosões, efeitos especiais computorizados, e uma trama totalmente estúpida. Como não é o caso, torceram o nariz. O filme só estreia em maio em Espanha, e em Portugal ainda não tem data marcada. A NOS Audiovisuais está de parabéns… se houvesse zombies, super-heróis, guerras de tronos ou dinheiro em caixa…

PRODUÇÃO ATRIBULADA

Jane Got a Gun começou a ser filmado no início de 2013. Lynne Ramsay iria realizar, mas desentendeu-se com Michael Fassbender, que iria desempenhar Dan. O ator sai do projeto uma semana antes do início da filmagem e, no primeiro dia de trabalho, a realizadora também não aparece, depois de um conflito de três dias com o produtor Scott Steindorff, acusando-o de comportamento fraudulento, de lhe impor um horário impossível, de não conseguir fazer o filme que pretendia e de lhe negarem a versão final. Assim, substituiram-na em 24 horas por Gavin O’Connor. E moveram-lhe um processo de 750 mil dólares por quebra de contrato. Lynne Ramsay chegou a acordo fora do tribunal em março de 2014.
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A saída da escocesa Ramsay (realizadora de Temos de Falar Sobre Kevin, filme que aborda a psicopatia de modo bastante incisivo) provocou, além dos atrasos, o abandono de mais duas pessoas: O ator Jude Law e o diretor de fotografia Darius Khondji, que saíram por solidariedade para com Ramsay.
O processo foi-se arrastando e a estreia finalmente foi agendada para território francês, a 25 de novembro de 2015. O plano foi cancelado devido aos ataques terroristas em Paris ocorridos no dia 13. A estreia da produção independente Jane Got a Gun ficou assim adiada para data a definir, em 2016, que acabou por ser fevereiro, três anos após a filmagem.
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Mais um ótimo desempenho de Natalie Portman num filme eficaz com produção atribulada.
Para quem não está propriamente preocupado com detalhes de realização, Gavin O’Connor faz um trabalho eficaz. Não arrisca muito. Temos as cavalgadas do bando, Portman em contraluz no Novo México, um tiroteio final movimentado e um desfecho que talvez não se esperasse.
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Mas, tendo em conta os neo westerns que ainda se produzem, como o ótimo Sweetwater (2013), curiosamente do mesmo ano de produção e que também tem uma mulher como heroína, o balanço é positivo. E há que referir a audácia de se investir num filme que visualmente é moderno, mas que se enraíza em tradições intemporais. Infelizmente, este género neo western não consegue bater as enxurradas de super-heróis, Star Wars parte 27, Velocidades Furiosas e sei lá mais o quê…
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Ignorando as substituições no elenco e os conflitos da produção, os atores dão uma base sólida a Jane Got a Gun. Noah Emmerich, que contracenara com Portman em Mulheres Giras (1996) desempenha o seu marido; Joel Edgerton combina a rudeza com a bondade na tradição dos bons protagonistas de westerns, Ewan McGregor… competente como é seu hábito enquanto sádico vilão. Natalie Portman é uma das atrizes mais talentosas da sua geração e, embora o filme não seja exclusivamente dela – ou um veículo para ela -, não desilude, continua a arriscar-se em estilos diferentes, conseguindo até uma atuação bastante superior num filme, chamemos-lhe, de género.
Como diz Dan, a certa altura: “O único ponto de uma batalha, Jane, é que acabe a teu favor.” Foi o caso.
David Furtado

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